BIOGRAFIA

Urbana Até o Ovo

 

Eclética como o pássaro que inspirou seu nome, a banda Mainaa, do cantor e compositor Gê
Luz, decola para um horizonte mais urbano, depois de se aventurar pelo céu do sertão no CD
Voo Nordestino, de 2018. Seu novo projeto, que tem como música de trabalho Cidade Sitiada,
traz a marca do rock’n’roll.


“Um dia eu conversei com meu produtor, Joca, sobre o desejo de fazer algo que tivesse a ver
com a minha verdade”, conta Gê. “Ele, então, perguntou qual era essa verdade e me deu todo
o apoio para ir em frente”. E a verdade deste gaúcho radicado há 34 anos na Bahia – e que já
trafegou pelo axé, pelo pop e pelo forró – é o rock. O rock de Cazuza, da Legião Urbana e d’O
Rappa, dentre outros nomes que influenciaram sua formação musical.


Isto não significa que ele renega os estilos com os quais trabalhou. Muito pelo contrário.
“Imaginei a banda como um projeto plural, eclético, com liberdade de tocar do frevo ao
samba, da valsa ao reggae, do rock à MPB, sem ser rotulada de um determinado estilo”,
explica. Ou seja, tudo pode mudar de um projeto para outro.


Mas agora é hora de a verdade de Gê falar mais alto. A temática urbana permeia cada música
dessa nova fase. O rock Cidade Sitiada coloca em evidência as reivindicações das comunidades
periféricas; Empoderada, que tem uma pegada pop, trata da conquista do poder pela mulher;
Menino de Rua aborda a realidade das crianças e adolescentes pobres da metrópole;
Diversidade é sobre o respeito a questões como etnia e opção sexual; Cobra Criada, um
samba na linha de Marcelo D2, e o reggae Trabalhador destacam a luta da classe
trabalhadora. E por aí vai.


A meta da Mainaa é o lançamento destas canções em singles sequenciais, nas plataformas
digitais, a começar por Cidade Sitiada, até formar o equivalente a um CD.
Gê Luz é, além de cantor, o compositor e fundador da banda. O guitarrista Ícaro de Sá é o
diretor musical e o arranjador. Completam o time o baixista Nildo Dias, o baterista Emerson
Aranha e o tecladista Robson Ernani, todos com experiência no mercado musical da Bahia.
“Cada músico gosta de um estilo, mas nesta mistura cada um coloca o seu molho e em cima
disso a gente cria a nossa identidade”, define Gê.


Trajetória


Natural de Pelotas, no Rio Grande do Sul, Gê Luz (o Gê vem de Rogério, seu nome real)
descobriu a vocação musical ainda na infância. Mas foi morando em Salvador que ele veio a
desenvolver o primeiro projeto na área, o CD Axé Dance. Mais tarde, enveredaria pelo pop
com a banda RG Pop, quando conheceu o produtor Joca Soares.

Depois disto o projeto musical ficou estacionado por um tempo, até que, em 2017, Gê montou
a Mainaa e embarcou no forró estilo Luiz Gonzaga e Dominguinhos com o CD Voo Nordestino,
que tem entre os destaques a música Cabrueira.
Pássaro
O nome Mainaa veio do pássaro asiático mainá, que, da mesma forma que a banda, tem no
ecletismo a sua marca. Ele possui a rara habilidade de imitar com precisão a voz humana e de
outros pássaros. Há ainda outras características que fazem do mainá uma ave especial e até o
aproximam do universo da música. Por exemplo: costuma passar o dia tranquilamente com
poucas companhias, mas à noite se une em bandos numerosos que fazem uma verdadeira
algazarra. Sem falar na incrível capacidade de se reproduzir como praga.


Foi numa noite, quando estava compondo um forró, que a palavra mainá se insinuou por três
vezes no ouvido de Gê. Curioso, ele foi consultar o Google para ver do que se tratava.
Descobriu então este pássaro e não teve dúvidas: escolheu seu nome para batizar a banda,
mudando apenas a grafia para Mainaa.


Por conta desta identificação especial com o pássaro eclético, Gê prefere que seu grupo seja
chamado de bando, em vez de banda. E até os fãs são incorporados ao universo versátil da ave
que faz aquela zoeira na calada da noite. “O público do Mainaa é mainá também, como no
Chiclete com Banana tem os chicleteiros. Somos um bando de pássaros”.
O bando está pronto para este novo voo.

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